O guia completo para vírgulas incluindo o uso adequado e como elas afetam o significado na escrita

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Aquele aviso

A Equipe Revisão tem um pacto de não divulgação de questões linguísticas. Parece estranho, mas nós entendemos que algumas questões sobre a língua são complexas e exigem uma explicação longa e apurada sobre descrição e norma gramatical. Por isso, as tentativas mais curtas de explicá-las podem suprimir exemplos pertinentes e induzir o autor ao erro.

No entanto, decidimos construir um pequeno manual para colocação de vírgulas, ainda que incompleto, de modo que você repense a sua própria escrita, e não exatamente se atenha ao simples pode ou não pode.

Vírgula para quê?

Afinal de contas, a vírgula ajuda ou atrapalha? Na hora de escrever uma pesquisa acadêmica, é importante que a pontuação esteja de acordo com as normas da Língua Portuguesa, não apenas para estar correta, mas para transparecer aquilo que você deseja escrever.

Para encurtar, você precisa saber que a vírgula serve para duas coisas: para deslocar ou separar termos e frases. Parece simplório, mas é a mais pura verdade. Quando você escreve uma vírgula, saiba que, quando sozinha, ela separa duas partes e quando em pares, ela desloca um trecho que, normalmente, não estaria ali.

Mas, falar é fácil. Como faz para colocar as vírgulas no texto, sem muita enrolação e exemplos fúteis. Como colocar na prática?

1- Colocando a vírgula no lugar certo

A primeira coisa que você precisa saber é não separar sujeito de verbo. Parece fácil, mas no texto acadêmico nem sempre é. Vamos ver o que um colega escreveu:

*Impôs, o médico a visão de um profissional oftalmologista, atuando de maneira prejudicial para a compreensão da doença.

 

Complicado? Na verdade, mais simples do que se imagina. Para não desrespeitar a regra número um da pontuação, você precisa identificar dois termos:

  1. O “quem” (muito entre aspas porque a palavra pode não se referir a uma pessoa, pode estar na voz passiva etc);
  1. E o verbo.

Verbo é aquilo que dá o “movimento” (igualmente entre aspas) a coisa: “impor”, “atuar”. Se você consegue conjugar, é verbo (ex: impuseram, atuaram).

Bom, sabendo e identificando esses dois itens: NÃO OS SEPARE. Voltando ao exemplo, não dá para colocar a vírgula antes de “médico” porque o verbo está lá no início e o “quem” tá depois. Quem impôs? O médico.

 

atuando de maneira prejudicial para a compreensão da doença.

 

Para o segundo trecho (ou segunda oração), pense igual. Se “atuar” é o verbo, não vou separá-lo do resto da frase. Isso também serve para o desenvolvimento da ideia. Por exemplo, quando integramos ideias complexas, coincidentemente, ou não, também vamos usar a mesma regra:

 

O regimento obriga que o indivíduo esteja a par dos acontecimentos.

Combinamos que o quem é “o regimento”, concorda? Sim? Com isso vamos pensar sobre o verbo “obrigar”. Segundo o trecho, o “quem” obriga alguém a estar a par dos acontecimentos. Se você coloca a vírgula depois de “obriga”, você separará o verbo do seu complemento.

Então, além de não separar sujeito de verbo, vamos também não separar termos, mesmo que eles sejam uma oração inteira (“que o indivíduo esteja a par dos acontecimentos”). Se a palavra tem um complemento obrigatório (que precisa estar ali), não vamos separar não. É o famoso: disse o que, obriga a que, gosta de que etc.

Estamos na mesma página? Essa foi a regra número 1. A regra número 2 é uma exceção.

2- Agora pode separar com vírgula

Você pode colocar vírgula entre sujeito (“quem”) e verbo quando houver um deslocamento. Deslocamento é quando tiramos o complemento do lugar-comum na oração e colocamos em outro espaço. A saber, os lugares-comuns, ou ordem direta da Língua Portuguesa, são esses:

 

Sujeito – Verbo – Complementos

 

Um exemplo bom é: “O Brasil é um país diverso”. Sujeito, verbo, complemento. E nem precisa saber de quem é o complemento, basta saber que a posição é essa. Agora, vamos ver o que acontece em caso de deslocamento:

 

A história traz inúmeros contrastes em seu percurso.

 

Se eu quisesse deslocar o termo acessório, ou seja, o complemento, seria possível, desde que eu apontasse o seu não-lugar.

 

Em seu percurso, a história traz inúmeros contrastes

A história, em seu percurso, traz inúmeros contrastes

A história traz, em seu percurso, inúmeros contrastes

Simples. Termos que se referem a circunstâncias (e aqui o meu apelo para voltarmos a dizer circunstância de tempo em vez de adjunto adverbial de tempo) são acessórios e podem ser deslocados no seu texto o quanto você quiser e fizer sentido.

Além disso, vamos pensar assim também para todas as vezes que você escreve dessa forma abaixo. Não, nós não entramos no seu computador, mas sabemos que 99% dos universitários adoram um deslocamentozinho:

 

Os resíduos aparecem, principalmente, na costa leste do continente.

Era constituído, pois, de um conjunto exímio de notas musicais.

Portanto, 57% dos estudantes estariam inseridos economicamente na classe C.

Reconheceu o “principalmente”, “pois” e “portanto” fora do lugar-comum? Hurrum, 99% dos universitários. Só falta a gente publicar esse estudo.

 

Obs: Só não esqueça: se abriu com vírgula, feche com vírgula.

Obs 2: E o sujeito, posso deslocar e colocar vírgula? Vamos pensar juntos:

 

*Traz inúmeros contrastes em seu percurso, a história.

Segundo a regra número 1, não posso separar o sujeito do verbo. E aí? Está separado? Se sim, significa que não podemos deslocar o sujeito e separá-lo por vírgulas, até porque fica parecendo que não terminamos de escrever uma oração (a história o que, gente?). Mas tudo bem escrever sem a vírgula, ali o nosso sujeito é posposto, e estaria certinho.

3- Uma oração inteirinha deslocada, pode?

Se acontece com um termo, pode acontecer com uma oração inteira. No meio da nossa escrita, pensamos muitas coisas ao mesmo tempo e existe a possibilidade de você desejar fazer uma digressão.

Vamos supor que você esteja escrevendo sobre um tipo de plantas. Mas, ao escrever, você lembrou de um livro ótimo sobre sentimento das plantas, que não tem muito a ver com o que você estava escrevendo, mas, vá lá, é uma digressão enriquecedora, né?

 

As plantas do tipo B desenvolvem-se em ambiente úmido e abrigado, tal qual descrito no livro A vida secreta das plantas em que Peter Tompkins pensa sobre as nervuras das folhas como redes neurais, contudo ainda necessitam de poda.

Ok. Introduzimos um pensamento inteiro ali, entre vírgulas, obviamente (porque é um deslocamento, lembra?). Isso pode acontecer de diversas formas. Perceba que, em vez de separar, continuamos usando a função de deslocamento das vírgulas. Desloquei a digressão do final do trecho para o meio dele.

A digressão é apenas uma forma, vamos dar uma olhada em outro tipo de encaixe.

4- E se mudar o sentido, coloca vírgula?

A exceção à regra acima está na explicação a termos específicos. Veja se, por acaso, você já fez isso:

 

Os profissionais liberais entrevistados que estiveram no curso aplicado em setembro não sentiram mudanças drásticas no seu cotidiano.

 

Se perguntassem a você quem esteve no curso, você automaticamente diria “os profissionais liberais”. Veja que somente os profissionais liberais entrevistados em setembro não sentiram mudanças drásticas.

Você possivelmente já escreveu assim no seu texto. Fazendo uma busca no seu editor de texto pela palavra “que”, com certeza você achará algumas estruturas assim. Aquilo que está depois dessa palavra (depois do “que”), de certa forma, assume a função de desenvolver as características do nome anterior. Quais profissionais? Aqueles que estavam no curso de setembro.

O exemplo acima está certinho, sem vírgula mesmo. Se você inserisse vírgulas, entenderíamos que todos os profissionais liberais entrevistados estavam no curso de setembro (calma que eu já mostro como ficaria).

Isso poderia gerar um erro de compreensão no seu texto porque, querendo ou não, se houvesse mais de um curso (outubro e novembro) talvez você não conseguisse distinguir quem estava em cada mês e o que eles pensavam.

 

Os profissionais liberais entrevistados, que estiveram no curso aplicado em setembro, não sentiram mudanças drásticas no seu cotidiano.

 

Aqui, a oração encaixada vai explicar quem são os entrevistados. Dá a entender que todos eles, 100% dos entrevistados da sua pesquisa, estiveram no curso de setembro.

Agora, imagine se fosse um curso por mês. Você estaria induzindo o leitor a entender que todos os entrevistados estiveram, no mínimo, em todos os cursos.

Para evitar isso, aprenda que com vírgula explica, sem vírgula restringe. Em textos técnicos e informativos isso é muito, mas muito importante.

Obs: Sobre o uso da palavra “que”, cabe aqui uma explicação breve e apurada. Os exemplos aqui referidos têm vírgula por causa do seu encaixe. A palavra que inicia a oração bem poderia ser qual, cujo, quem, onde. Perceba que não estamos definindo pela palavra, e sim pela função do texto.

5 – Um pouco além da vírgula

Ainda nesse mesmo tema, podemos usar a mesma estrutura acima, mas, dessa vez, iniciando a explicação com um verbo no gerúndio, infinitivo ou particípio (exemplos: gerúndio: andando; infinitivo: andar; particípio: andado) Complicado? Nem um pouco, tenho certeza de que você já fez isso:

 

Os direitos legítimos dos indígenas são negados, tornando a vida em comunidades mais atribulada.

No exemplo, “tornando” é o verbo conjugado no gerúndio, dando aquela impressão de que algo está sendo feito, gradualmente. Nós reconhecemos essa estrutura de longe. A famosa frase do telemarketing, “vamos estar fazendo”, não é isso?

Pois é, esse “tornando” ali tem uma função muito interessante nas nossas estruturas textuais. Além de representar uma temporalidade incomum, ele ainda adiciona um modo, uma forma a qual a ação está sendo feita. Mas, que ação é essa?

No caso, negar direitos deixa a vida dos indígenas atribulada. Mas é interessante como não é assim que a gente escreve. Normalmente, usamos um verbo no gerúndio (“tornando”) para, de alguma forma, atribuir uma circunstância ao fato anterior. Nesses casos, usamos a vírgula.

Entretanto, caso você queira explicar um termo, assim:

 

A história decorre do encontro de fatos e memórias saídas da coletividade.

Então não colocamos a vírgula, porque “saídas” faz parte da construção da palavra “memórias”. Percebe? Não é porque o verbo está no particípio que haverá vírgula antes dele. Fica ligado, hein? É só quando queremos dar uma definição maior, como ali em cima.

Uma observação pertinente aqui é lembrar que, da mesma forma como não separamos sujeito de verbo, também não vamos separar membros constituintes de uma mesmo termo, por exemplo, “aquela bolsa, azul”. O termo completo é “bolsa azul”, e ali não estamos deslocando nada. Mas acredito que não seja esse o seu caso.

6 – Casos que você conhece sobre vírgulas

Além desses exemplos, existem casos que você já conhece. Por exemplo, se houver uma enumeração, usamos a vírgula:

 

Os pais, alunos e participantes da palestra confirmaram presença antecipadamente.

Sim? Moleza. Enumerou, vírgula. Separar orações também merece vírgula porque estamos separando duas estruturas:

 

A metodologia indutiva foi aplicada ao texto, mas não surtiu os resultados esperados.

Embora acreditassem na nova tecnologia, metade dos entrevistados recusou a aplicação dela nos seus escritórios.

 

Nesse caso, não vamos dizer que é necessário colocar vírgula antes de conjunção, porque ela pode simplesmente não estar lá e, mesmo assim, existirem duas orações diferentes e a necessidade de vírgula. Então, reparou que existem duas orações, use a vírgula para separá-las. Para um tipo específico de orações, a vírgula acaba sendo uma conversa à parte, mas vamos simplificar para você botar a mão na massa e escrever essa pesquisa.

A exceção a essa regra é o “e” aditivo e o “porque” explicativo:

 

Associamos os dados pesquisados ao banco de dados da UERJ e alinhamos hipóteses para as questões desta dissertação.

A dissertação discorre sobre o recorte temporal do século XX porque ainda não há dados sobre o século presente.

 

No primeiro exemplo acima, pareamos duas orações e damos o sentido de simultaneidade: ao mesmo tempo, os pesquisadores associaram os dados e alinharam hipóteses. Dessa forma, quando houver um “e” aditivo, não use vírgula.

Sobre a explicação, como vimos, existem várias formas de explicar algo dentro do seu texto. Se você quiser usar especificamente essa forma, com o “porque” de motivo, não separe a explicação, vá direto ao ponto.

Além dessas regras, você possivelmente já ouviu falar que, se há um chamamento, a vírgula está lá:

 

Maria, não use o elevador!

 

Mas esse exemplo se aplica melhor a textos literários. Como em textos informativos e técnico-científicos há uma predileção à impessoalidade, o lugar de chamamentos não é aqui.

Uma regra que você pode saber, mas não se lembra, é para o uso de elipses, ou seja, quando você não escreve a palavra, mas sabe que ela está ali:

 

A norma culta da Língua Portuguesa representa um atraso para estudos decoloniais, filosóficos, antropológicos.

No trecho, já entendemos que são diferentes estudos, só não foi necessário repetir a palavra. E tudo bem, evita a repetição e deixa a leitura mais ágil. Essa é uma estrutura possível em textos acadêmicos.

Por fim, vamos mostrar uma exceção à regra do “e”, até porque ela normalmente confunde autores e revisores, não se engane.

7- Você já viu isso?

Calma que agora vem a dúvida geral. Você estava escrevendo um texto e sentiu, no fundo do seu coração, que depois do “e” existiria uma vírgula. Ou então, você teve um feeling, uma inspiração divina, que apontou o caminho da vírgula antes do “e”.

Apesar de parecer sobrenatural, isso acontece porque durante as nossas leituras, o cérebro memoriza estruturas linguísticas e tenta repeti-las durante a construção do texto (texto aqui significa o momento antes de pôr as palavras no papel, quando você está pensando no que escrever). Por isso, ao encarar a folha em branco, tentamos ao máximo repetir o texto que está na nossa cabeça, mas, infelizmente, a coisa nem sempre sai como gostaríamos.

O fenômeno acontece na construção do discurso ou, se você preferir, quando você tenta colocar as informações em ordem no seu texto. Para tranquilizá-lo, vamos lembrar que a escrita é uma tecnologia e, por isso, artificial. Você aprende a costurar, você precisa aprender a escrever. Por isso, muitas vezes, você procura dicas no Google. E, também, por isso, o Google te oferece várias dicas.

Passado o momento digressão, vamos ao “e” adversativo e “conclusivo” (muito entre aspas novamente). Sim, a conjunção pode mudar o seu valor, dependendo do contexto. Você já leu um texto assim:

 

A tecnologia da informação evolui constantemente, e faz-se necessário o aprendizado diário.

ou

O processo de industrialização pós-moderno faz pouco pelo trabalhador, e traz grande retorno financeiro para ele.

Estranho? Demais, né? Ainda assim, as estruturas existem e demonstram que o sentido da segunda oração influencia na nossa compreensão do contexto. No primeiro exemplo, existe uma “conclusão” ou uma aparente consequência. Estamos lidando com um “e” que não passa a ideia de simultaneidade.

No segundo exemplo, então, fica até óbvio. O processo de industrialização, apesar de não pensar no trabalhador, traz dinheiro. Veja, as ideias são contrárias, quando pensamos que haverá ali mais um defeito, por fim, aparece um benefício. A quebra de expectativa se dá por causa do “e”, quando achamos que vai adicionar, ele mostra uma oposição. Nesse caso, normalmente colocamos vírgula, enfatizando essa mudança.

Além disso, também podemos introduzir a vírgula depois do “e”, mas, lendo aqui o texto, você possivelmente sabe o porquê. Se eu encaixar uma informação após o “e”, ou quiser trazer uma digressão, ou ainda, quem sabe, só inferir uma ideia anterior, com certeza a vírgula estará lá.

Vamos recapitular

Ufa! Caramba, quanta regra. Na verdade, esses usos da vírgula, de certa forma, regulam a nossa leitura porque são estruturas que estão repetidamente sendo bombardeadas aos nossos olhos. Para o pós-graduando, profissional liberal, ou qualquer universitário, a leitura de textos técnico-científicos induz a percepção de ideais, hipóteses e do conhecimento como um todo, independentemente da área, por causa justamente dessas estruturas linguísticas.

Pensando nisso, vamos recapitular essas normas e colocá-las todas juntas, só para memorizarmos o que foi lido aqui acima.

As regras para colocação da vírgula são:

  • Não separe sujeito de predicado;
  • Não separe termos da oração;
  • Coloque vírgula para separar orações (exceto aditiva, explicativa);
  • Coloque entre vírgulas para deslocar elementos ou orações inteiras;
  • Caso exista um pronome relativo, com vírgula explica, sem vírgula restringe (ex: que, onde, se, cujo, o qual);
  • Use vírgula em enumerações;
  • Use vírgula com vocativos;
  • Use vírgula para inferir uma informação (elipse);
  • Use vírgulas para separar orações adverbiais reduzidas (gerúndio, infinitivo, particípio);
  • Não separe orações adjetivas reduzidas (gerúndio, infinitivo, particípio);
  • Use vírgula para separar orações iniciadas por conjunção “e” que não possuem sentido de adição.

Foi mais ou menos isso que nós discutimos aqui. É claro que nem sempre é possível lembrar de todas as ocasiões em que a vírgula se faz presente. No entanto, esses exemplos dispostos acima já ajudam na hora de construir um texto científico e, principalmente, tiram a dúvida da sua cabeça. O importante é escrever.

Referências bibliográficas

Tomei a liberdade de conferir algumas informações nestes livros:

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2010.

AZEREDO, José Carlos. Iniciação à sintaxe do português. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2015.

MOURA, Chico. MOURA, Wilma. Tirando de letra: orientações simples e práticas para escrever bem. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

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